Por que ter uma protagonista bissexual é tão importante para The 100?

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The 100 não é uma história de amor. Mas enquanto a trama da série pós-apocalíptica da CW está mais concentrada na guerra na Terra, a série recebeu elogios de críticos (e hashtagging de fãs) por identificar sua heroína, Clarke (Eliza Taylor), como bissexual, desde que ela compartilhou um beijo com a líder dos Grounders, Lexa (Alycia Debnam-Carey), na segunda temporada.

E com esse beijo e a confirmação da sexualidade dela vindo do dono da série, Jason Rothenberg, Clarke se tornou a primeira protagonista abertamente bissexual da CW — algo que ajudou o drama, agora em sua terceira temporada, a se transformar de uma estreia abalada em um trending topic mundial no Twitter. “Foi um enorme momento decisivo”, lembra Taylor. “A introdução de Lexa e a bissexualidade de Clarke definitivamente ganhou muito respeito [dos críticos] por avançar os limites, o que eu acho ridículo, porque isso não deveria ser avançar limites nessa época.”

Rothenberg vê dessa maneira também. Para ele, escrever Clarke como bissexual não foi querendo apelar para os fãs LGBT, para ganhar espectadores ou dar uma mensagem sobre direitos civis. A decisão — e a identificação de outros personagens mais tarde, como Nathan Miller (Jarod Joseph) como gay — foi uma simples construção de mundo, e somente dentro do mundo de The 100.

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Miller e seu namorado no episódio Watch the Thrones.

“A orientação sexual se encaixa no mesmo lugar que a identificação de gênero e raça se encaixam no mundo da nossa série”, Rothenberg diz. “Os personagens na série não estão preocupados com essas coisas. Eles estão apenas preocupados se vão viver ou morrer… Ninguém classifica ninguém, como ‘Ela é uma líder mulher’ ou ‘Ele é um soldado gay’. Isso não está no vocabulário da nossa série.”

“Eu entendo a importância de rótulos no mundo em que vivemos”, ele acrescenta. “Então eu sinto como se descrever esse universo onde essas coisas não importam mais é a maneira que eu desejo que o nosso mundo real fosse.”

Mas ainda assim, mesmo que os personagens de The 100 não se importem menos com a própria sexualidade deles, os espectadores se importam. Como um tweeter ativo, Rothenberg percebeu o entusiasmo dos fãs por certos pares (ou “ships”, em relacionamentos) retratados na tela. Ele diz que participa de algumas hashtaggings, mas que toma cuidado para não ser influenciado — quer isso signifique ficar contra ou a favor de #Clexa. “Eu nunca penso ‘Bem, eu realmente preciso atender as pessoas que querem ver esses dois juntos’, Rothenberg diz. “O fenômeno shipping é uma espécie de faca de dois gumes que as pessoas são apaixonadas e que as fazem assistir a série, mas eu não gosto do que isso faz quando coloca alguns grupos contra outros… É incomum. É uma coisa nova para eu observar.”

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Mas para Taylor, a sexualidade de Clarke não levanta qualquer problema: Apenas ser o rosto de uma das poucas protagonistas bissexuais da TV é gratificante o bastante. “As pessoas querem ser amadas e precisam de alguma conexão para viver nesse mundo, e se isso vem de um homem ou uma mulher realmente não importa”, ela diz. “Eu acho que foi uma coisa realmente linda de ouvir e fazer.”

A 3ª temporada de The 100 é exibida todas as quintas-feiras no EUA pela CW. No Brasil a nova temporada deve estrear em março do mesmo ano.

Fonte: Entertainment Weekly

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