Review The 100 S03E03 – “Ye Who Enter Here”

1

A análise a seguir contém spoilers do terceiro episódio da terceira temporada de The 100.

“Abandon all hope, ye who enter here” – Inferno, Dante Alighieri
“Abandonai toda esperança, vós que aqui entrai”

Repleto de surpresas, mortes e reviravoltas, o episódio S03E03 – “Ye Who Enter Here” conseguiu ser capaz de deixar muitos fãs boquiabertos durante os quarenta e poucos minutos, além de ter sido um dos episódios mais bem elogiados pela crítica e muitas vezes comparado ao “Red Wedding” da renomada série de TV “Game of Thrones”.

Clarke e Lexa ganharam muitas cenas juntas nesse episódio. Depois de ter sido capturada, Clarke fica uma semana hospedada em Polis, a capital Grounder, e logo ela tem a chance de “jogar na cara” toda a mágoa que ainda sentia de Lexa por tê-la abandonado em Mount Weather, mas Lexa não se abala e se defende, dizendo que Clarke não precisava de sua ajuda. E não precisava mesmo, não é? Além disso, essa breve conversa entre as duas serviu para “calar a boca” de muito fã que dizia odiar a Lexa pelo o que ela fez, porque afinal, sabemos que Clarke também coloca seu povo acima de tudo e de todos, ou então não teria sido capaz de matar toda uma civilização em Mount Weather.

Mas deixando o passado de lado, logo descobrimos que Lexa está disposta a fazer do povo de Clarke o povo dela, transformando Arkadia no 13º clã Grounder e dando sua proteção a eles, e tudo o que Clarke precisaria fazer era se curvar perante Lexa durante a reunião marcada ao pôr-do-sol. É claro que essa decisão de Lexa não é bem aceita por todos; vemos Titus, o conselheiro de Lexa, tentar fazê-la mudar de ideia, argumentando que não era hora de fazer alianças com os Sky People – especialmente porque não era isso que eles estavam procurando, mas sim deter a Rainha da Nação do Gelo. E para conseguir o poder da Wanheda, Lexa precisaria matar Clarke. Enquanto isso, o príncipe Roan tenta convencer Clarke a matar Lexa, deixando uma faca ao alcance dela, dizendo que Clarke é a única que pode se aproximar o bastante para fazer isso. E bem que a Clarke tenta, não é? Quando Lexa entra em seu quarto para encontrá-la, Clarke coloca a faca na garganta de Lexa e…não consegue seguir em frente. “Eu nunca quis transformá-la nisso” Lexa diz e o que veio à minha mente nesse momento foi que sujar as mãos de sangue se tornou algo difícil para Clarke que, em tão pouco tempo na Terra, já deu fim à vida de tantas pessoas, direta ou indiretamente. Sendo ou não sendo a grande Wanheda, não podemos esquecer que Clarke também é apenas uma garota querendo o bem de seu povo.

Kane e Abby chegam em Polis para comparecer à reunião convocada pela Comandante Lexa e, junto com eles, nós conhecemos um pouco da capital. Comerciantes, crianças correndo e pessoas comuns fazem parte do cenário da cidade Grounder, algo que de certa forma aproxima a série da nossa própria realidade, mesmo que do seu próprio jeito. Kane logo se mostra interessado em conhecer mais da cultura dos Grounders e, ao observá-lo, Abby decide dar a ele o broche de Chanceler, alegando que ele havia nascido para isso. Desde os primeiros episódios da série, o relacionamento de Abby e Kane amadureceu muito, assim como os próprios personagens. Os dois aprenderam a lidar um com o outro, se ajudarem quando necessário e, acima disso, estarem juntos como líderes, não importa quem carregue o título de Chanceler. E não é nenhuma surpresa que Abby reconheça o espírito de liderança em Kane, visto o quanto o personagem cresceu desde então e se transformou em um verdadeiro líder.

the-100-discussão-resumo-s03e03

As coisas em relação a Mount Weather se complicam um pouco. No episódio anterior, vimos que Abby concordou em usar a montanha para o bem dos dois povos, mas nesse episódio já damos de cara com o pessoal da Farm Station celebrando no salão de jantar, como se já estivesse em casa, mesmo com apenas uma semana de estadia. É bem fácil para eles fazerem isso quando não estavam ali há alguns meses para ver o que realmente aconteceu no lugar, não é? Mas sendo certo ou não, as opiniões sobre usar a montanha estão bastante divididas: Abby aprova e Kane desaprova, Bellamy aprova e Octavia desaprova. Numa cena de uma conversa dos irmãos Blake, percebemos realmente o quão chateada Octavia está se sentindo com aquela situação; desde o começo ela era contra usar um local que praticamente era um mausoléu para os Grounders, mas agora ficou ainda mais claro que ela está mais disposta a ir embora com Lincoln do que ficar ali, onde ela definitivamente não se encaixa nem um pouco. E ninguém pode culpá-la, não é? Crescer escondida de todos e ter culpa na morte da mãe é mais do que suficiente para querer distância dos Sky People.

Clarke finalmente se encontra com Abby e Kane – confesso que pensei que Clarke ficaria mais feliz em reencontrar a mãe – e tenta convencê-los a se tornar o 13º clã, e logo Kane concorda, alegando que Arkadia não teria a menor chance contra o exército da Nação do Gelo. E então, temos um dos melhores momentos de toda a série: ao som do hino Grounder que se encaixou perfeitamente, as cenas mais importantes do episódio se intercalam no momento certo. Vemos a cerimônia em Polis, Clarke se curvando perante Lexa e recebendo as boas vindas da Comandante, enquanto Bellamy, Octavia e Pike se apressam nos túneis para chegar a tempo, ao mesmo tempo que o assassino da Nação do Gelo se prepara para sua missão. Toda a cena foi linda, representativa e de suma importância para a terceira temporada. Ver Clarke se curvando diante de Lexa e se tornando oficialmente parte dos Grounders, vestida como uma, é algo que não será facilmente esquecido por aqueles que assistem The 100.

Uma das maiores surpresas do episódio foi a aparição de Echo – a Grounder que Bellamy conheceu em uma das jaulas de Mount Weather, que surgiu para avisá-lo de que a reunião em Polis era uma armadilha e que havia um assassino lá dentro. Bellamy imediatamente diz aos outros que podem confiar nela e, enquanto Raven, Sinclair e Gina procuram o código para usar os mísseis de Mount Weather, Bellamy, Octavia, Pike e Echo vão até Polis para impedir que a reunião acontecesse, entrando pelos túneis. Eis que a traição é revelada: quando eles finalmente chegam na cerimônica e anunciam a armadilha, percebem que Echo não estava mais entre eles e nós descobrimos que o assassino enviado da Nação do Gelo está, na verdade, em Mount Weather. Então, o objetivo de Echo era levar Bellamy, Octavia e Pike para longe e deixar o caminho livre para o assassino? Sim, era. E aí está a tão falada semelhança com o “Red Wedding” de GOT; a traição que ninguém esperava revelada no último instante e que resultou num massacre.

O episódio inteiro foi cheio de cenas importantes, mas não há como negar a relevância da conversa entre Raven e Sinclair. “Você merece mais” Sinclair diz o que todos nós, fãs, temos em mente quando se trata de Raven Reyes na série. E provavelmente a dor que Raven está sentindo nunca ficou tão evidente quanto nesse momento; tão forte e dolorosa que a faz querer desistir, que a faz ter medo de simplesmente estar “quebrada”. E Sinclair serviu bem para o papel de consolá-la, na linguagem mecânica/engenheira que ela entende, e que precisava ouvir.

Gina não sofreu tanto quanto Raven, mas ela também merecia mais e não há como questionar isso. Em três episódios não conseguimos saber muito sobre a personagem e nem ver seu relacionamento com Bellamy sendo desenvolvido, mas dava para notar que ela era uma pessoa boa e que ao menos merecia viver um pouco mais. Ainda assim, a última coisa que ela disse para Bellamy foi “não faça nada estupidamente heroico” e, antes de morrer, quem fez algo heroico foi ela, não é? Pelo rádio, Gina conseguiu avisar Raven que o modo de autodestruição havia sido ativado e, só por causa disso, Raven conseguiu sair da montanha em tempo de matar o assassino da Nação do Gelo que lutava com Sinclair, mas tarde demais para impedir que Mount Weather explodisse, com as pessoas da Farm Station lá dentro. Há um toque da segunda temporada aí; as pessoas na montanha comendo e bebendo tranquilas, sem nem ao menos saber que a morte se aproxima. Mais um massacre em Mount Weather, mais um massacre em The 100.

Bellamy não se saiu muito bem nesse episódio. Afastado da reunião em Polis por ordem de Kane – embora tenha ido do mesmo jeito no final, ele sofreu uma traição vindo de alguém que ele confiava, não conseguiu trazer Clarke de volta depois de tanto tentar encontrá-la e ainda perdeu a namorada. Sabemos que Bellamy raramente se deixa abalar por alguma coisa, mas o impacto que ele vai sentir quando souber que Gina foi morta na armadilha da Nação do Gelo em Mount Weather pode ser perigoso, principalmente se ele se sentir culpado por ter confiado em Echo. Só nos resta torcer para o personagem se manter forte.

s03e03-audiencia-the100

Lexa também ganhou o destaque que merecia no episódio. Nas cenas em que ela se mostrava superior, como empurrar alguém do alto de uma torre por não respeitar suas decisões ou treinar uma criança para lutar adequadamente, fomos lembrados do quanto ela é forte e poderosa, e da razão de ser a Comandante dos 12, agora 13, clãs. Mais do que isso, também vimos que Lexa não é somente uma figura de poder; no começo do episódio, Titus diz “a Comandante não se curva a ninguém”, mas no final, vemos Lexa se curvando diante de Clarke e jurando fidelidade a ela, prometendo tratar as necessidades de seu povo como povo dela. Esse pedido de casamento juramento é significativo o bastante para ficar preso na memória dos fãs, especialmente por ver Lexa deixar a superioridade de Comandante de lado e tratar Clarke como igual. Não era a Comandante se ajoelhando para Clarke, era apenas Lexa.

O episódio termina com a introdução de Nia, a Rainha do Gelo. Echo aparece diante dela para anunciar que tudo havia saído conforme o plano, graças ao “último homem da montanha” que logo descobrimos se tratar de Emerson e concluímos que foi assim que a Nação do Gelo soube sobre o modo de autodestruição de Mount Weather. E ainda, a Rainha Nia diz que logo seu filho estará livre e Lexa estará morta. É claro que com isso, podemos esperar uma guerra daquelas que The 100 sabe fazer muito bem, mas confesso que estou esperando saber mais sobre a Nação do Gelo e, principalmente, sobre a Rainha Nia, lembrando das palavras de Roan quando Clarke disse que não podia confiar na mãe dele por conta dos rumores de ela ser ruim: “Isso é porque você tem conversado com Lexa”. Alguma coisa tem aí, não é?

A série mostrou, em mais um episódio, que de “teen” não tem nada e que só tem a melhorar cada vez mais. No final, só tenho uma coisa a dizer: Clarke se curvou para Lexa, Lexa se curvou para Clarke e eu me curvei para The 100!