Review The 100 S03E05 – “Hakeldama”

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ATENÇÃO: A análise a seguir contém SPOILERS do quinto episódio da terceira temporada de The 100.

Se o episódio anterior foi o início de uma nova guerra perigosamente decisiva entre o povo da Arkadia e os Grounders, o episódio dessa semana trouxe boa parte das consequências que a decisão de Pike trouxe e ainda trará para a série. Nos quarenta e poucos minutos, nós vimos em cada personagem um pouco de dor, raiva, tristeza, decepção e, ainda, esperança; tudo perfeitamente encaixado na habitual intensidade de The 100.

Clarke e Lexa saíram de Polis e retornaram à Arkadia acreditando que finalmente a paz havia se estabelecido com a morte da Rainha do Gelo, mas tiveram sua viagem interrompida ao cruzarem com o exército de Grounders mortos num verdadeiro massacre à céu aberto, numa cena que não precisou ser mostrada em detalhes para comover quem assistiu. Logo no começo do episódio, vemos claramente que Lexa está disposta a vingar a morte de seu povo convocando os exércitos dos 12 clãs para destruir Arkadia e todos que estiverem lá dentro, mas Clarke ainda busca pela paz e não perde as esperanças de consertar o erro dos Skaikru e evitar mais mortes.

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Mas então, depois de uma breve visita escondida à Arkadia, Clarke percebe que não há nada que ela possa fazer para impedir que a guerra aconteça e que a única pessoa que podia fazer isso era Lexa. Ela sugere, então, que Lexa mude o jeito de lidar com as coisas e se torne uma líder diferente, do tipo que mostra ao mundo uma maneira melhor de resolver os problemas ou caso contrário, todos acabariam mortos no final. É claro que permitir que um massacre fique impune não parece algo normal vindo da Comandante dos 12 clãs que acabara de matar uma Rainha que havia conspirado contra ela, mas Lexa surpreende a todos quando aceita a sugestão de Clarke e diz que sangue não se paga com sangue.

Seguindo as palavras de Indra, podemos ter certeza absoluta de que essa decisão não será facilmente aceita por Polis e até mesmo por todos os outros Grounders que sempre estiveram acostumados a usar a violência para vingar violência, o que provavelmente causará algum conflito. Há uma frase conhecida na franquia Jogos Vorazes que pode se encaixar nesse momento: “São as coisas que mais amamos que nos destroem”. É como se Clarke conseguisse transformar Lexa numa Comandante mais humana – já que um bom líder não precisa ser necessariamente temido pela frieza ou crueldade, mas sim respeitado –, então só nos resta torcer para que essa decisão não cause mais guerras e conflitos que já existem.

Se havia alguma dúvida da ameaça que Pike representa para a aliança (e a paz) dos Skaikru com os Grounders, essa dúvida foi completamente eliminada nesse episódio. Tanto em seu discurso de ódio quanto nas reuniões como Chanceler, percebemos que ele se tornou um verdadeiro ditador, um tirano. E assim como os ditadores tiranos da nossa história real, Pike também acredita que todas as suas decisões cruéis são pelo bem de seu próprio povo e, pior ainda, ele tem um público consideravelmente grande que o escuta e o apoia. Em sua breve conversa com Bellamy na qual ele diz a frase “O único conselho que posso te dar é que pense nas vidas que salvamos, não nas que foram perdidas”, fica visivelmente claro o quanto ele pode ser fortemente manipulador e, mesmo dentre todas as ameaças que já vimos na série, uma voz que convence 10 pessoas a massacrarem 300 é excessivamente perigosa, principalmente num mundo onde sangue se paga com sangue.

E apesar de ter feito Pike poupar a vida de Indra, Bellamy está cada vez mais afastado de quem ele era algum tempo atrás e, ao mesmo tempo, cada vez mais próximo de quem ele era no começo da série – o mesmo que torturou Lincoln para salvar a vida de Jasper. Ele está definitivamente perdido e devastado por todas as mortes que ele acha que carrega nas costas e, em seu reencontro com Clarke, percebemos que Bellamy ainda guarda certo rancor dela por tê-lo deixado em Arkadia depois de os dois terem colocado fim à vida de uma civilização inteira em Mount Weather, inclusive em pessoas que confiavam em Bellamy. Lembrar isso foi interessante para nos mostrar que não foi apenas Clarke que sofreu com aquela decisão, mas Bellamy também, que ajudou a puxar a alavanca e até então não havia demonstrado tanto o que sentia sobre isso. Entretanto, mesmo que algum dia o personagem recupere a razão e volte para o lado certo da guerra, é certo dizer que Bellamy nunca mais será o mesmo, especialmente se ele não for capaz de perdoar a si mesmo pelo o que está fazendo no momento. Isso mostra, mais uma vez, que em The 100 realmente não existem mocinhos.

Raven [finalmente] ganhou mais destaque no episódio e provavelmente a dor que ela está sentindo no momento nunca ficou tão evidente quanto agora. Sabemos por tudo que a nossa mecânica já passou e como isso ainda deve afetá-la, mas agora, com Abby afastando-a de seu trabalho por conta de sua perna que parece piorar cada vez mais, vemos que Raven não consegue nem mesmo admitir a própria dor em voz alta, o que torna suas cenas ainda mais dolorosas para nós, fãs.

Com o retorno de Jaha – e A.L.I.E. -, logo notamos que ele está disposto a recrutar o máximo de pessoas que conseguir para “ser um fiel” da Cidade das Luzes e, na cena onde ele faz uma pregação um discurso, A.L.I.E. conta que Raven é exatamente quem eles precisam fazer acreditar. E faz sentido, já que ela é uma das personagens com mais dor dentro de si de toda a série e é exatamente isso que nós vemos na cena final; enquanto chora, Raven decide engolir “a chave” para a Cidade das Luzes que Jaha a entregou e assim que ela se levanta e começa a andar, não há mais dor. Com uma música incrível de fundo, vemos Raven parar de mancar e começar a enxergar A.L.I.E., que diz a ela que chegou a hora de voltar ao trabalho. É difícil dizer o que esperar desse enredo que não descobrimos muito ainda – e a cada resposta dada, surgem mais perguntas, então provavelmente veremos mais sobre a Cidade das Luzes no próximo episódio, agora que Raven também faz parte dela. Mas sem dúvida alguma, este foi um enorme passo para o enredo que promete ser o segredo da terceira temporada da série.

O episódio S03E05 – Hakeldama se destaca pelas incríveis atuações do elenco em cada cena, especialmente por ter sido um episódio tenso e fortemente intenso em todos os sentidos. Alycia Debnam-Carey não precisou de uma palavra sequer para demonstrar o que Lexa sentiu ao ver 300 pessoas do povo dela assassinados brutalmente; a dor estava em seu olhar. Ricky Whittle também se destacou ao interpretar muito bem a situação em que Lincoln se encontra como um Grounder preso dentro de Arkadia, assim como Lindsey Morgan consegue comover todos com a dor estampada no rosto de Raven. Bob Morley também merece elogios pelas múltiplas emoções que Bellamy claramente está sentindo e até mesmo Michael Beach como Pike, porque fazer um personagem ser odiado pelos espectadores requer muito empenho e dedicação.

Por fim, em mais um episódio mais cheio de tensão do que ação, The 100 nos mostrou uma perfeita combinação de personagens complexos com um elenco competente, reviravoltas e surpresas. Clarke chorou, Raven chorou, eu chorei, porque essa série só melhora a cada episódio que passa.

Observações:

– Murphy e Emori como casal bandido foi um arraso, pena que durou pouco.

– Uma das melhores cenas do episódio foi Clarke, Lexa, Octavia e Indra decidindo como lidar com o erro dos homens, hahaha.

– Peçam o impeachment do Pike, por favor.

A 3ª temporada de The 100 é exibida todas as quintas-feiras no EUA pela CW. No Brasil a nova temporada estreia na MTV no dia 7 de março de 2016.

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