Review The 100 S03E06 – “Bitter Harvest”

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ATENÇÃO: A análise a seguir contém SPOILERS do sexto episódio da terceira temporada de The 100.

Na semana passada tivemos um episódio repleto de tensão, drama e fortes consequências causadas por decisões não tão bem pensadas como, por exemplo, um massacre de um exército inteiro que só tinha como função proteger os Skaikru, então era normal esperar que as coisas se acalmassem um pouco depois de tantas mortes, certo? Errado. O episódio S03E06 – “Bitter Harvest” seguiu a mesma linha da tensão e, devagar, nos mostrou planejamentos e discussões que podem ou não resultar numa guerra iminente. E é claro, como estamos falando de The 100, um final de episódio excepcionalmente perfeito para deixar os fãs criando mais e mais teorias.

No começo do episódio, vemos uma cena de Clarke desenhando Lexa enquanto ela dorme – uma cena que instantaneamente nos lembra Titanic, um dos filmes de romance mais clássicos do cinema… bem, se você não considerar o final trágico, certo? De tragédias The 100 entende! Mas o momento dura pouco tempo quando Lexa acorda de um pesadelo, o que no mesmo instante me lembrou do quanto ela está deixando de ser mostrada APENAS como a grande líder acima de tantos clãs de guerreiros, para ser mostrada como alguém que também é um ser humano e que tem sonhos ruins uma vez ou outra. Lexa conta para Clarke que sonhou com os Comandantes anteriores falando com ela, numa espécie de aviso por ela estar “traindo” o legado e a tradição que eles deixaram para o povo Grounder: o famoso “sangue não se paga com sangue”. E como dito na semana passada, rejeitar os costumes tão antigos do povo Grounder não é algo tão facilmente aceito de mente aberta e, rapidamente, vemos que Titus é o primeiro a não concordar com essa decisão da Comandante.

Uma das surpresas do episódio foi a aparição de Carl Emerson, o último sobrevivente de Mount Weather, que se aliou à Rainha Nia e ajudou no massacre que resultou em 49 mortes dos Skaikru. Enviado como um presente do atual Rei Roan para a Wanheda (só eu notei que a lealdade dele parece estar mais com Clarke do que com Lexa?), cabe à Clarke decidir qual seria o destino de Emerson e nesse caso, de início ela se mostra disposta a matá-lo para dar fim àquela guerra antiga. Mas após uma conversa com ele – a qual Clarke descobre que duas das crianças mortas por ela eram filhos dele e Emerson diz que se ela o matasse, a dor dele chegaria ao fim, mas não a dela –, Clarke pensa melhor e durante a cerimônia, ela rejeita a vingança e diz que estaria matando-o não pelo o que ele fez, mas pelo o que ela fez. Bani-lo das terras realmente era a melhor opção, visto que às vezes a morte parece ser uma solução muito fácil e rápida para aqueles que merecem sofrer pelo o que fizeram, além de significar mais sangue nas mãos da nossa Wanheda, não é? Aproveitando a decisão de Clarke, Lexa dá um breve discurso para apresentar a nova maneira de lidar com a violência, uma maneira que não fará com que a sombra da morte acompanhe as futuras gerações. Nessa cena, Alycia Debnam-Carey mostra mais uma vez que realmente nasceu para esse papel.

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Você prefere morrer lutando por seu povo ou morrer de fome? Em mais um episódio, Pike se mostrou o ditador tirano que se tornou. Dessa vez, usando o argumento de que precisam plantar soja e milho para Arkadia ter o que comer depois da perda dos recursos de Mount Weather, ele está disposto a tomar a terra de uma aldeia de Grounders e, caso haja insistência, massacrá-los assim como fizeram com um exército de 300 pessoas. E convenhamos que tendo a Terra inteira para explorar o quanto quiser, escolher terras ocupadas e invadi-las é o cúmulo do egoísmo e da obsessão, mesmo que o pensamento dele esteja no próprio povo.

“Ele acredita que está fazendo a coisa certa”
“Todos sempre acreditam”

Usando as palavras da conversa de Kane e Abby, já podemos perceber que Pike tem em mente que seu dever como Chanceler é colocar seu povo em primeiro lugar, e não ser adorado por eles, e está disposto a fazer sacrifícios e o que mais precisar. Mas comparemos a atitude dele com a decisão de Clarke em Mount Weather na segunda temporada; depois de muitas alternativas para salvar seu povo, Clarke ficou sem escolha alguma no último instante e ainda assim, sofreu tanto com essa decisão que ainda não conseguiu realmente encontrar paz. Mas Pike não consegue enxergar outras alternativas e nem ao menos tenta buscar a paz; ele está tão cego pelo ódio dos Grounders que ele conheceu antes de encontrar Arkadia, que tem certeza de que todos são iguais e abusa de sua autoridade sem escutar conselhos de mais ninguém, o que certamente o distingue de um líder para um ditador. Um líder, como Lexa, tem coragem de se arriscar a mudar as coisas para garantir a paz. Pike não. A intenção de plantar para ter o que comer é boa e necessária num mundo onde sobrevivência é o que importa, mas o pensamento e a maneira de agir dele estão completamente errados.

Octavia ganhou grande destaque ao se jogar numa missão para tentar convencer os Grounders da aldeia a saírem antes de serem atacados pelos Skaikru, mas seu plano não dá muito certo e ela é amarrada por eles, embora tenha conseguido avisar Bellamy sobre a armadilha que os Grounders prepararam para eles e que, no final, acabou matando Monroe. Agora, mais do que nunca, Octavia realmente está dividida entre os dois povos; afinal ela tentou salvar um, não deu certo, depois tentou salvar o outro, e foi apontada como traidora, o que acabou revelando para Pike que Kane está o espionando. De qualquer jeito, podemos concluir que os irmãos Blake estão cada vez mais se afastando um do outro e a cena do “you’re dead to me!” não demorará tanto assim para acontecer. Pior que não podemos nem dizer que Bellamy não merece, não é?

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Raven mudou drasticamente depois de conhecer a Cidade da Luz, isso é um fato. E é claro que vê-la feliz e sem dor depois de tanto sofrimento é algo bom, mas talvez devemos nos preocupar um pouco com isso. A.L.I.E. conseguiu convencer Raven a abrir acesso para ela no sistema central de computadores da Arkadia, onde ela acredita haver sua segunda versão, Becca, que nós vimos na gravação do bunker que Murphy estava no primeiro episódio. Mas graças à desconfiança de Abby – que como médica, não entende uma dor desaparecer da noite para o dia –, nós descobrimos que os chips que Jaha anda distribuindo por onde passa eliminam mais do que apenas dor e, de certa forma, parecem quase transformar quem os ingere em “robôs” controlados por A.L.I.E., visto que a Raven no juízo perfeito não daria acesso à sala de comando para qualquer um e, quando Abby toca no nome de Wells, Jaha nem ao menos se lembra do próprio filho, cuja morte causou tanta dor a ele. Caso isso se prove verdade, o perigo da Cidade da Luz é ainda muito maior do que qualquer guerra que esteja acontecendo, sendo que A.L.I.E. já destruiu o mundo uma vez.

No final do episódio descobrimos que Becca não pôde ser encontrada em nenhum código das 12 estações da Arca e Jaha explica que ela só podia estar na 13ª estação, Polaris, que foi deixada no céu para que as outras formassem a Arca, e isso nunca era falado por não representar exatamente a união que as pessoas acreditavam existir no Dia da União. Ao mesmo tempo, numa cena incrível, vemos Titus torturando Murphy em busca de informações sobre o chip com símbolo de infinito, ao lado de um “pedaço de nave” com o nome de Polaris, mas com as letras “A” e “R” queimadas, formando a palavra “Polis”. Essa informação nos deu ainda mais perguntas do que já tínhamos antes: então as pessoas de Polaris sobreviveram? Qual a relação dos Grounders com elas? Qual a relação de Becca em tudo isso? Provavelmente teremos algumas respostas e uma explicação melhor no próximo episódio, titulado de “treze”, mas não há como negar que essa revelação tornou o enredo da temporada ainda mais interessante e puxou um ótimo gancho para os próximos episódios; se bem que finais de episódio surpreendentes e instigantes não são novidades para The 100 que já é mestre nisso.

Sem dúvida alguma, uma das melhores coisas nessa série é o quanto conseguem desenvolver vários enredos ao mesmo tempo, fazendo com que cada um se encaixe perfeitamente no outro, e nos deixando com tantas perguntas sobre diferentes linhas de história que se torna impossível pensar em apenas uma teoria que explique tudo. Sendo assim, os próximos episódios prometem ser ainda melhores e com muita coisa para acontecer, afinal toda paz é temporária em The 100.

Observações:

– Bellamy, amigo, não tá dando mais. Melhore!

– Monty, eu sei que sua mãe tá do lado do Pike e essas coisas, mas por favor, volte para o lado CERTO!

– Kane e Abby e Miller e Bryan são os melhores casais da série, sem mais.

– Vamos fazer panelaço para o Pike?

– R.I.P. Monroe.

A 3ª temporada de The 100 é exibida todas as quintas-feiras no EUA pela CW. No Brasil a nova temporada estreia na MTV no dia 7 de março de 2016.

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