ATENÇÃO: A análise a seguir contém SPOILERS do sétimo episódio da terceira temporada de The 100. Você foi avisado!

“In peace, may you leave this shore.
In love, may you find the next.
Safe passage on your travels,
until our final journey to the ground.
May we meet again.”

Quando achamos que The 100 já nos surpreendeu o bastante em pouco tempo de série, eis que surge um dos episódios mais importantes, senão o mais importante, para nos dar um tapa na cara e mostrar que ainda tem, sim, muita coisa por vir. O episódio S03E07 – Thirteen deve ser destacado por sua relevância não apenas porque [finalmente]pudemos entender o que exatamente aconteceu antes do apocalipse, mas também porque tivemos que nos despedir de uma das melhores personagens que já passaram e marcaram essa série.

Com o último ataque dos Skaikru à uma aldeia Grounder – além do massacre perdoado, as coisas começam a ficar mais complicadas em Polis. Os 12 clãs querem vingança por todas as mortes causadas pelos atos de Pike e companhia, e exigem que sangue se pague com sangue. Mas mesmo que Lexa tente fazer tudo para evitar que a guerra aconteça, ainda é sobre política que estamos falando e ela não pode simplesmente ignorar os pedidos de seu povo para sempre, certo? Para servir de exemplo do que aconteceria caso ela prosseguisse nisso, vimos Semet tentar atingi-la com uma faca no meio da reunião, alegando que bloquear o povo de Arkadia, para que eles não tentem ultrapassar o limite novamente – ou haverá ordem de morte –, não era justiça suficiente. Ainda assim, Lexa anuncia que Arkadia terá um tempo para derrubar os líderes que estão praticando atos de guerra e depois que estiver reestabelecida, será aceita como 13º clã. Isso nos leva a acreditar que a partir de agora, Arkadia se encontrará ainda mais dividida do que já estava; um grande conflito interno no meio de tantos outros conflitos. Aqueles que querem Pike fora do poder terão que se juntar para derrubá-lo, mas isso talvez fique um pouco mais difícil agora que ele sabe que está sendo espionado graças à presença de Octavia na aldeia atacada.

Clarke e Lexa finalmente protagonizaram um dos momentos mais esperados por boa parte dos fãs. As duas fizeram uma cena romântica linda, cheia de sentimento e um ar triste de despedida – sendo que Clarke iria voltar para Arkadia no mesmo dia. Mas essa cena trouxe felicidade e, ao mesmo tempo, dor aos fãs, principalmente àqueles que assistiram já sabendo o final do episódio. Enquanto as duas ainda estão na cama, Clarke nota a tatuagem nas costas de Lexa e ela explica que cada um dos 7 círculos representa um Sanguinário que morreu quando ela alcançou o poder, mas Clarke lembra que eram 9 principiantes na disputa pelo cargo de Comandante, o que nos deixa imaginando o que aconteceu com o 8º e porque Lexa decidiu não falar sobre isso. É difícil criar teorias sobre quando sabemos tão pouco – por enquanto – sobre a seleção de novo Comandante na política dos Grounders; apenas que o “espírito da Comandante” que escolhe o seu sucessor. Parece que vamos descobrir um pouco mais sobre isso mais rápido do que imaginávamos, não é?

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Através de flashbacks, pudemos ver que antes do apocalipse acontecer, Becca era uma cientista da estação Polaris e trabalhava na criação da ALIE que, mais tarde, conseguiu entrar no sistema de lançamento nuclear e detonar a Terra por “excesso de pessoas”. Mesmo assim, Becca não desistiu e continuou trabalhando em sua inteligência artificial, dizendo que a primeira versão de ALIE – a mulher de vermelho que conhecemos – não entendia o que significava ser um humano, mas a segunda versão entenderia, criada para coexistir com os humanos de maneira biológica. Como uma boa cientista fiel à sua criação, Becca não desiste de seu trabalho e entra numa cápsula em direção à Terra, fazendo com que Polaris se atrase no acoplamento com as outras estações para formar a Arca, sendo então explodida no céu para servir de lição.

E finalmente [e infelizmente]falamos da cena final que deixou todos os fãs limpando as lágrimas e recolhendo os cacos do coração no chão. Titus arma uma emboscada para Clarke encontrar Murphy ferido e amarrado e, com uma arma na mão, ele diz que Lexa nunca cumprirá seus deveres enquanto Clarke estiver viva, o que já está bem equivocado, não é? Não fazia nem uma hora que Lexa havia gritado com ele dizendo que podia muito bem separar seus sentimentos de deveres, sendo que acolheu Azgeda na aliança dos clãs mesmo depois de terem entregado a cabeça de Costia para ela. Se isso é sinal de fraqueza, eu não sei mais o que significa ser forte. Continuando, Titus começa a atirar e Clarke a desviar, até que Lexa entra no quarto e é atingida por uma bala de Titus destinada a Clarke. Todos nós sabíamos, é claro, que Lexa iria morrer algum dia porque Alycia Debnam-Carey é atriz regular em “Fear the Walking Dead”, série que tem as gravações em um país diferente de The 100, então a agenda dela não estava nada fácil para trabalhar. É compreensível e isso Jason fez questão de reforçar.

Mas o que nós também sabemos é que Lexa ganhou uma importância indescritível no enredo da série, servindo de inspiração para muitos que assistiam cada uma de suas cenas. Lexa mostrou que uma mulher pode, sim, ser uma líder forte, guerreira, sábia, lésbica e ainda ser um ser humano comum e digno de respeito e igualdade, seja num mundo pós-apocalíptico ou no mundo atual onde vivemos. Lexa representou boa parte do nosso mundo real, fãs ou não fãs de The 100. Lexa, que foi a primeira Comandante Grounder que realmente foi capaz de enxergar um futuro sem violência e lutou por isso, desafiando suas tradições e os legados deixados por seus antepassados, e que até seu último instante de vida, se deu conta de que a vida era muito mais do que apenas sobreviver. Lexa merecia mais, uma história mais desenvolvida, um passado explicado, um futuro reservado. Mas mesmo que não houvesse outro jeito e ela tivesse que morrer de qualquer jeito, ela merecia uma morte melhor, adequada à sua personagem. Algo épico, para combinar com Lexa. Um ferimento de bala tornou-a mais humana do que muitas pessoas a viam, mas em três temporadas nós já vimos Jasper levar uma lança no peito e sobreviver, Kane e Abby serem soterrados por um ataque de míssil e sobreviverem, Raven levar um tiro na perna, quase ficar sem medula óssea e mais e, ainda assim, sobreviver. Tantos sobreviveram à coisas piores e a personagem mais forte e bem-preparada que já passou por essa série foi derrubada por uma bala perdida. É, The 100, parece que realmente ninguém está à salvo.

Mesmo sendo difícil aceitar o jeito que Lexa morreu, é impossível negar que a última cena dela com Clarke foi de partir o coração, pisar nos pedaços e varrer a poeira para debaixo do tapete. A dor que Clarke sentiu quando percebeu que não existia nada que ela pudesse fazer para salvá-la conseguiu ser transmitida apenas no olhar desesperado dela. “Eu não quero o próximo Comandante, eu quero você! “ Ah, que dor. É nítido o quanto a morte de Lexa afetará a jornada de Clarke daqui para frente; seu luto será enorme e intenso, assim como o nosso. Nós já vimos nossa Wanheda lidar com a morte de Finn antes e sabemos o quanto isso a devastou por certo tempo, e com Lexa não será diferente. Algo me diz que ela até mesmo focará sua atenção em Arkadia, em ser a líder que Lexa acreditava que ela era.

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A grande revelação do episódio se mostra no momento em que Titus, o Guardião da Chama, corta a pele da nuca de Lexa – onde vemos o símbolo do infinito, que associamos ao trabalho de Becca – e retira de lá uma espécie de chip tecnológico que os Grounders acreditam se tratar do espírito da Comandante, mas que na verdade se trata de uma inteligência artificial criada por Becca e trazida para a Terra com ela – a ALIE 2, a capaz de entender os humanos –, o que nos leva a supor que Becca foi Comandante há 97 anos (reparem no nome de “Comandante” na roupa espacial dela) e desde então, existe uma inteligência artificial repassada pelos Comandantes capaz de ampliar suas consciências. Isso nos dá algumas respostas, mas geram ainda mais perguntas: será que Lexa tinham alguma relação com a Cidade da Luz?

O episódio S03E07 – Thirteen foi um episódio incrivelmente bem trabalhado, mesmo que tenha tido um acontecimento que certamente não agradou ninguém. Os flashbacks foram bem explicativos, fazendo algumas peças desse grande quebra-cabeça finalmente se encaixarem. O elenco, mais uma vez, merece elogios pelas ótimas atuações, especialmente Alycia Debnam-Carey que deu vida à Lexa de uma forma inesquecível, mostrando em todas as cenas que esse papel não podia ser de ninguém mais, a não ser dela. Alycia fez parte da história de The 100 como muito mais que uma atriz convidada e será sempre lembrada por todos os fãs. Sentiremos a falta dela.

Um episódio marcante, memorável, intenso, emocionante; um episódio do tipo que The 100 sabe fazer. Não sei vocês, mas eu agradeceria se Jaha me desse um daqueles negócios da Cidade da Luz que elimina a dor… Tô realmente precisando.

Observações:

 – Quero um áudio de 2 horas da cena da Lexa gritando com Titus, por favor.

– Murphy ficou avulso na cena da morte de Lexa, presença desnecessária (embora a cena dele lendo os desenhos na parede tenha ficado sensacional).

– Não dá nem para comemorar um episódio sem Pike, Bellamy e Jaha porque o Titus sozinho conseguiu ser pior que todos juntos.

– R.I.P. Lexa Kom Trikru. May we meet again.

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  • Guilherme Guckert

    Amanda mais uma vez arrasando na review! Parabéns pela incrível análise, orgulho de você <3

    • Amanda Oliveira

      <3

  • dália m

    Review incrível! Muita coisa que eu nem tinha notado, só me dei conta pelo review. <3 arrasaram

  • Ana Carolina Nazareth

    Ótimo Review!!! Só teve uma coisa que fiquei sem entender: quando a outra comandante Anya morreu, próximo ao acampamento da Sky People, como o chip (a Inteligencia Artificial) foi parar na sucessora Lexa?

    • Guilherme Guckert

      Oi Ana. A Anya não era a reencarnação, então ela não portava o chip consigo.