ATENÇÃO: A análise a seguir contém SPOILERS do décimo quarto episódio da terceira temporada de The 100. Leia por sua conta e risco!

“Olhe para você, lutar é tudo que você sabe. Morte é tudo que você sabe. ”

Sabe quando você está assistindo algo e passa o tempo todo praticamente prendendo a respiração e esperando o momento em que finalmente as coisas vão começar a dar certo? Assistir o S03E14 – “Red Sky at Morning”, pelo menos para mim, foi exatamente assim. Repleto de cenas tensas e intensas, o episódio foi bom o bastante para prender a atenção até o final.

Raven é alguém que não está em todos os episódios, mas quando aparece, é sempre para se destacar entre os outros. Foi bom ter visto que ela estava cansada de esperar por Clarke para resolver as coisas porque, por mais que nossa Wanheda tenha esse dom de salvadora do povo, todos nós sabemos que ali ninguém é dependente de ninguém, principalmente Raven, que já mostrou em tantas ocasiões que sabe muito bem o que está fazendo, não é? De certa forma, ela estava certa em agir quando surgiu uma chance de derrubar A.L.I.E. já que, num mundo como The 100, não existe garantia alguma de que alguém irá voltar para que você fique sentado esperando.

Também foi bastante interessante vê-la trabalhando ao lado de Monty, duas inteligências se ajudando com apenas um propósito, especialmente porque os dois tinham visões distintas sobre o código de A.L.I.E. Talvez por ter estado na Cidade da Luz e ter entendido pelo menos um pouco de A.L.I.E., Raven era a única capaz de enxergar – e nos fazer entender – que, no final de tudo, o universo de A.L.I.E. e a Cidade da Luz não passam de um monte de códigos que podem ser deletados. Além disso, ela também conseguiu descobrir que A.L.I.E. está escondendo alguma coisa, o que provavelmente apenas saberemos do que se trata no último episódio. Mas, apesar de toda a pressa e a urgência em estar um passo à frente de A.L.I.E., Raven se manteve calma e deu à Monty a escolha de apagar ou não o arquivo com os códigos que continha a mente da mãe dele que, no mesmo momento, falava com ele diretamente através do computador. Não é a primeira vez que observo isso, mas a força que Monty anda tendo em relação à morte da mãe dele é muito admirável já que ele mesmo deu fim à vida dela e até então não se permitiu desmoronar nem por um minuto.

Luna finalmente deixou de ser um grande mistério e, nesse episódio, pudemos saber um pouco mais sobre ela. Ela mostrou ser alguém fiel à suas convicções, recusando-se a aceitar o cargo de Comandante por não querer matar mais ninguém, e revelou ter fugido do Conclave não por achar que iria perder, mas porque sabia que ganharia. Além disso, ela foi forçada a matar o próprio irmão. Tendo isso como base, é fácil entender o motivo de ela ter escolhido um estilo de vida diferente para si. Existem outros modos de sobreviver e seria interessante a série conseguir mostrar um pouco mais disso, explorando a cultura de outros clãs diferentes dos que já conhecemos.

Clarke estava, evidentemente, desesperada para convencer Luna a aceitar flâmula. Mas, tentar inserir a I.A. dentro de Luna contra sua vontade foi uma ideia exageradamente errada e não há como questionar isso. Talvez não existisse mais outras opções, mas se Luna estava convicta a permanecer com sua escolha, é porque ela tinha razões fortes o suficiente para isso e merecia respeito. Até Octavia fez questão de lembrar que até mesmo A.L.I.E. dá uma escolha para as pessoas, mesmo que de um jeito não tão amigável. Mas, como eu disse na semana passada, sobreviver transforma as pessoas e já faz um tempo que Clarke foi perdendo um pouco de si mesma na guerra, na urgência de tentar salvar o próprio povo. Não podemos culpá-la, é claro, quando notamos a responsabilidade que ela carrega em cima dos ombros.

No entanto, Luna manteve sua palavra até o final, mesmo depois de ter visto o que A.L.I.E. podia fazer e decidiu não entrar no jogo dela. Confesso que fiquei um pouco decepcionada quando ela mandou os Skaikru embora porque estava esperando conhecer um pouco mais do lugar em que eles estavam, assim como a própria Luna; seria no mínimo decepcionante toda aquela busca por ela para a personagem só aparecer em dois episódios. De qualquer forma, ela é alguém importante e esperamos vê-la novamente em breve.

Enquanto isso, uma parceria entre Murphy x Indra x Pike se desenvolvia em Polis, juntos com o propósito de derrubar A.L.I.E. e Jaha. Não sei se já comentei isso antes, mas fico impressionada com o quanto Murphy cresceu como personagem e anda se destacando nos últimos episódios; se não fosse por ele, eles não teriam chegado à mochila eletrônica de Jaha que transportava A.L.I.E. – e eu já tinha até esquecido disso. É difícil dizer quanto das coisas que A.L.I.E. diz é mentira, mas a ideia de que a mochila era nuclear e que podia destruir a cidade inteira é algo fortemente duvidoso, mas ainda assim eles seguirem em frente em tentar destruí-la. E chegaram tão, mas tão perto!

Na verdade, o episódio inteiro pode ser resumido em: “Eles poderiam ter destruído tudo hoje”, como o próprio Jaha concluiu no final. Raven chegou tão perto de desligar todos os códigos, Pike chegou tão perto de destruir a mochila no tempo certo e Clarke só precisava convencer Luna a mudar de ideia. Por conta disso, o S03E14 – “Red Sky at Morning” fez parecer que em algum momento as coisas iriam dar certo, especialmente por estarmos a dois episódios da season finale, mas, com todos os códigos de A.L.I.E. no espaço, parece que tudo só piorou ainda mais. Esse é um plot com muita história dentro que ainda não entendemos porque quanto mais respostas nos dão, mais perguntas surgem, então espero que comecem a solucioná-lo já no próximo episódio para que não haja pontas soltas – e isso sou eu esperançosa torcendo que não deixem mais sobre isso para a quarta temporada. Bem, may we meet again.

Observações:

– Não sei vocês, mas achei Monty x Harper MUITO avulso. Espero que não tentem fazer deles um casal romântico porque ficaria bem mal construído, já que pareceu ser coisa de momento.

– Chega de namoradas mortas para o Jasper, POR FAVOR!

– Luna matando o namorado dela, doeu. Doeu muito.

– Cada referência ao Lincoln ou a Lexa é um tiro no meu peito.

A 3ª temporada de The 100 é exibida todas as quintas-feiras no EUA pela emissora CW. No Brasil as exibições acontecem nas segundas-feiras às 22:50h na MTV.

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  • Sthefani Cordeiro da Silva

    Excelente episódio e texto. Concordo com a última frase, referências ao Lincoln e a Lexa me matam… A cena da Luna matando o namorado vai entrar para as cenas mais dolorosas dessa temporada.