ATENÇÃO: A análise a seguir contém SPOILERS do segundo episódio da quarta temporada de The 100. Leia por sua conta e risco!

Uma das melhores coisas nessa série é a maneira como os roteiristas se importam em manter a história toda amarrada mesmo ao passar das temporadas. Ver referências aos acontecimentos do comecinho da série, até aqueles que nós quase não lembramos direito, dá uma grande credibilidade ao roteiro e ainda traz de volta a essência da série, como certamente tivemos no episódio “S04E02 – “Heavy Lies The Crown”.

Nesta semana, finalmente fomos apresentados ao clã Trishanakru, que nos remete àquelas borboletas brilhantes que Octavia encontrou logo no começo da primeira temporada (referências, referências everywhere). Além disso, também tivemos a chance de conhecer um novo personagem: Ilian. Sua primeira cena na qual ele é obrigado a matar a família inteira na frente da mãe, causando também a morte dela, por conta da influência do chip de A.L.I.E. serviu para nos mostrar o quão longe o poder da Cidade da Luz chegou. Obviamente, ele culpa os Skaikru pelo desastre e deseja vingança, sendo o instrumento chave para que o embaixador do clã desafie o Rei Roan para um combate individual. A questão é que o Rei não teria condições nenhumas de enfrentar um inimigo enquanto ainda está com um buraco de bala no peito, não é?

O título do episódio e toda a temática do roteiro reforça, cada vez mais, o quanto ser um líder muitas vezes significa ter que carregar um fardo de decisões difíceis nas costas. Como governar 13 clãs diferentes quando sua popularidade está cada vez mais baixa e você precisa segurar as pontas enquanto um grupo soluciona o fim do mundo? Como contar para as pessoas que elas irão morrer em seis meses sem que haja pânico total? Como escolher entre salvar 25 pessoas hoje ou 500 mais tarde? A série, sem dúvidas, sabe trabalhar muito bem essa posição desde o início.

Octavia se destacou ainda mais que o normal nesse episódio. Ela está cada vez mais se tornando uma guerreira independente, sem realmente pertencer à algum lugar ao certo, mas fazendo o que precisa para sobreviver. Não sei vocês, mas eu ainda não superei o golpe fatal que ela deu no embaixador, parando seu coração e sem deixar nenhuma sujeirinha que pudesse incriminar seu ato – que profissional!

O peso da coroa do líder também estava forte em Arkadia, enquanto Clarke tentava decidir entre contar ou não contar para todos sobre o fim do mundo. Uma ponta de esperança surge quando Monty tem a ideia de consertar a nave para que as pessoas possam se abrigar contra a radiação, mas para isso eles precisariam pegar uma máquina que ainda estava na Farm Station, agora ocupada por guerreiros de Azgeda. Mas, nessa missão simples, eles não esperavam encontrar um grupo de antigos habitantes da estação sendo feitos de escravos, incluindo Riley, velho conhecido de Clarke.

Bellamy teve alguns poucos minutos para decidir se sairia da Farm Station levando a máquina que precisavam ou se a usaria para resgatar os escravos. No final, como esperado, ele decide se livrar da máquina e voltar para Arkadia com 25 pessoas. Parece uma decisão pouco racional quando eles têm poucos meses para salvar o mundo e só então haviam encontrado um plano que parecia funcionar, principalmente porque sem a máquina, só significa mais trabalho para Raven tentar solucionar – sem muita ajuda, pelo o que podemos perceber. Mas, seguindo a frase de Bellamy sobre “salvamos quem podemos salvar hoje”, fica nítido que a lógica da decisão se deu pelo fato de que as 25 pessoas tinham apenas um dia para serem salvas, enquanto o resto ainda têm seis meses; umas estavam sendo aprisionadas e feitas de escravas, enquanto o resto ainda vivia livremente sem ter a mínima ideia do que estava acontecendo. Parece justo, não é?

Depois de uma conversa com Jaha sobre o fardo da liderança (lembrando as 200 pessoas que foram sacrificadas por um bem maior) e uma alfinetada de Raven sobre seu pai (que morreu tentando contar para a população que os recursos da nave estavam acabando), Clarke decide fazer um discurso público ao final do episódio, contando sobre a atual situação. Eu não sei o que vocês acham, mas ela pareceu ser muito mais esperançosa e otimista do que deveria e eu tenho um pouco de receio sobre o que isso pode causar. O tempo está passando cada vez mais rápido e outros problemas não param de surgir, e ainda estamos só no começo da temporada.

Observações:

  • Quero um áudio de duas horas da Octavia falando para o Roan: “Você vai perder a luta. A Lexa já te deu uma surra sem você estar se recuperando de uma bala no peito”.
  • Ver uma faísca da antiga amizade de Jasper e Monty doeu.
  • O mundo acabando e Abby e Kane estão fortíssimos no romance. GOSTO ASSIM!
  • Long live the King!

A 4ª temporada de The 100 vai ao ar toda quarta-feira nos EUA pela CW. No Brasil a série será exibida pela Warner Channel em abril de 2017.

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