ATENÇÃO: A análise a seguir contém SPOILERS do décimo primeiro episódio da quinta temporada de The 100. Leia por sua conta e risco!

Como você escolhe entre um monstro e o Diabo?

Desde o início desta temporada, Octavia foi uma personagem consideravelmente 8 ou 80. Ou você ama ou você odeia quem ela se tornou. Às vezes, um pouco dos dois. Mas, ainda que ela tomasse atitudes extremas, sempre havia o misterioso “ano escuro” que talvez pudesse justificar um pouco a mudança dela. Agora que nós sabemos o que de fato aconteceu durante esse tempo sombrio, é certo dizer que podemos olhar para ela com uma visão mais empática.

Ainda que tenha sido uma desconfiança de muitos fãs, é surpreendente perceber que uma série considerada “teen” por tantas pessoas na primeira temporada traria cenas de canibalismo algum dia. Mesmo após tanta luta, guerra e mortes, talvez nenhuma outra cena de The 100 tenha sido tão forte e impactante quanto a do refeitório, quando as pessoas se obrigam a comer carne humana para sobreviver. Carne de pessoas que elas provavelmente conheciam.

Antes de tudo, é preciso analisar que as duas personagens que mais sofreram os danos psicológicos do ano escuro foram Octavia e Abby. Para começo de conversa, não foi culpa de Abby ter influenciado na decisão. Ela viu sacrifícios e situações de crise na Arca diversas vezes, além de ter conhecimentos médicos. Quando uma médica não vê nenhuma outra solução para sobreviver sem acabar com uma vida, talvez realmente não tenha mais o que ser feito.

O episódio com o canibalismo e os flashbacks com a antiga Octavia só reforçaram ainda mais o quanto ela teve que suportar um fardo pesado demais para carregar sozinha. Enquanto Clarke segue a temporada preocupando-se com a sua filha e Bellamy só deseja ter seus amigos (ou família, como ele mesmo diz) de volta, Octavia teve que se preocupar com mais de mil pessoas durante seis anos. O que você faria no lugar dela? Não é nenhuma surpresa que ela tenha conseguido salvar seu povo, mas tenha se sacrificado no caminho. Não que justifique tudo que ela tenha feito depois disso, mas certamente fica muito mais fácil compreender a dor que ela está carregando desde então.

A decisão de matar as pessoas que se recusassem a comer carne humana quebra o livre arbítrio e coloca Octavia no começo de um caminho complicado (no qual ela seguiu, como vimos), mas de certa forma, é possível entender o desespero que ela sentiu ao ver que a única solução que pudesse salvar mais pessoas seria “dando um exemplo” assustando outras. Não foi assim que a ideia da arena também surgiu?

Agora que entendemos como o ano escuro aconteceu, talvez seja válido notar que o vício de Abby nas pílulas não tenha sido realmente pelo que Becca fez no cérebro dela. É possível que ela tenha usado as pílulas para fugir da consciência pesada de ter influenciado Octavia a se tornar quem se tornou.

The 100 segue mostrando que a série não tem vilões reais. É tudo uma questão de perspectiva, de analisar o que o outro vivenciou e pelo o que ele está lutando.

Observações finais:

– Kane está fazendo hora extra na série?

– Clarke, assim não dá para te defender! Até Madi está mais esperta nessa guerra do que você.

– O Murphy sou eu e a arma é meus objetivos de vida.

– Raven apaixonada é a coisa mais linda desse mundo. Mantenham esse amor vivo!!